"Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. "
(Romanos 12:1 ARA)
Sacrifício...o que isso significa para nossa geração? O que significa pra você?
Quando ouvimos essa palavra pela última vez? Quando mencionado sobre oferta?!
O que Paulo quis dizer nesse versículo?
Para entendermos melhor, voltemos a Gênesis e tracemos um pensamento até nossos dias.
E Deus criou o mundo e tudo o que nele há. Criou o homem para se relacionar com ele e para que dominasse sobre o mundo físico. Deus vinha à terra para conversar com o homem, Ele amava isso. Seu prazer era se manifestar ao homem aqui na terra. E, como bem sabemos, o homem O ofendeu e foi afastado de Sua presença. Mas Deus fez uma aliança com o homem prometendo uma redenção. Se olharmos atentamente ao versículo 21 de Gênesis 3, no contexto da promessa, perceberemos a morte de um animal (ou você acha que Deus arrancou a pele sem matar o bicho?).
Após as águas do dilúvio baixarem, Noé edificou um altar - o primeiro a ter esse nome na Bíblia - e ofereceu alguns animais como sacrifício. Noé queria atrair a presença de Deus, queria falar com Ele, para agradecer pela salvação e/ou perguntar o que deveria fazer após sair da arca. E deu certo. No versículo 21 de Gênesis 8 Deus responde o sacrifício e firma uma aliança prometendo nunca destruir toda humanidade.
Abraão também ofereceu muitos sacrifícios a Deus, e muitos deles para atrair Sua presença (Gn 12:28, 13:4). Em Gn 15:9-21 vemos novamente Deus estabelecendo uma aliança e uma resposta com fogo, e em Gn 22 Deus confirma a aliança mais uma vez após a edificação de um altar de sacrifício.
Em Êxodo 20:24-28 Deus faz uma aliança, da Lei, com Moisés e o povo israelita, e ela é selada com um sacrifício.
Samuel sacrificou a Deus momentos após consagrar Davi como rei.
Jesus, o Verbo encarnado, veio à terra sendo o próprio Deus. O Criador na criação!
E Ele fez o sacrifício perfeito, derramando seu sangue como propiciação por nós. Um homem sem pecado pagando com seu próprio sangue o pecado da humanidade, assim colocando a humanidade novamente em contato com Deus e trazendo Deus para morar em nós. Estabelecendo a aliança da nova criação e proporcionando o batismo com fogo.
Deus toca a terra quando há um sacrifício. Elias obteve uma resposta com fogo no monte Carmelo, no tabernáculo de Moisés o fogo vinha do céu e consumia o sacrifício. O livro de Esdras nos conta que a reconstrução de Jerusalém começou pelo altar, tamanha sua importância.
No antigo testamento o altar se tornou um meio de comunicação de Deus com o homem, afinal Deus é Santíssimo (nem no superlativo conseguimos expressar sua santidade) e não tolera o pecado, logo o pecado gera morte, assim sendo, para se relacionar com Deus alguém tem que morrer. Embora Deus sendo Soberano (onipotente), Ele é Justo - se não fosse certamente estaríamos ferrados - e respeita a autoridade do homem na terra, por isso não faz nada sem a cooperação do homem.
Então, se Deus é tão Santo, como fazê-Lo se manifestar na terra?
Através da morte.
Altar vem do hebraico mizbêach, que significa lugar de morte.
Talvez você esteja se perguntando sobre o sacrifício de Jesus - o qual foi o sacrifício perfeito, tornando dispensável o sacrifício de animais - e sua relação com o fato de Paulo nos instruir a nos sacrificar.
Jesus pôs um fim no sacrifício de animais, porém não anulou o princípio do sacrifício. Veja o que Ele mesmo disse nos seguintes textos:
- Mat 10:38 "E quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim."
- Mar 8:34 "Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me."
- Luc 14:27 "E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo."
Nós somos os altares de hoje! E sobre um altar vazio o fogo não desce!
(Mateus 5:14-15 ARA)
Veja o que Isaías 58, um dos meus capítulos favoritos, diz sobre o verdadeiro jejum:
"...Porventura, não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e, se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? Então, romperá a tua luz como a alva, a tua cura brotará sem detença, a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do SENHOR será a tua retaguarda; então, clamarás, e o SENHOR te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o dedo que ameaça, o falar injurioso; se abrires a tua alma ao faminto e fartares a alma aflita, então, a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia. "
(Isaías 58:7-10)
A SALVAÇÃO NÃO É UM FIM, É O MEIO!
Não se contente apenas em ir aos cultos, não se acomode com a salvação. Paulo diz em Filipenses 2 que a salvação deve ser desenvolvida. Hebreus 5:11-14 nos estimula a nos desenvolvermos por meio da prática.
Meditemos novamente em João Batista. Na primeira parte vimos que caminho e mentalidade são sinônimos. Então é hora de mudarmos nossa mentalidade e passarmos a caminhar, a percorrer o caminho da salvação, lutarmos o bom combate, corrermos como atletas em busca de uma coroa incorruptível.
Levantem-se para resplandecerem (Is 60:1)! É hora de agir! Arrependa-se, mude sua mente, e comece a caminhar!
"...desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor... Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo... para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente."
(Filipenses 2:12-16 ARA)
O envolvimento de João com a luz era tamanho que o próprio Cristo o chamou de lâmpada, algo que gera luz (João 5:35). E há um fato sobre João que acho, no mínimo, interessante. Profecias a seu respeito declaram ser a ele a "voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor" (Jo 1:23; Is 40: 3-5 - ênfase minha). Entretanto, João enfatizava o arrependimento em suas pregações. Qual a relação entre caminho e arrependimento?
Jesus, sendo maior que João, não fez diferente, e os escândalos que ele causava perturbaram toda uma casta religiosa. Até mesmo a natureza não foi párea para a nova mentalidade de Cristo. Antes dele, nunca um cego de nascença havia sido curado. Em uma dessas curas - relatada no evangelho de João, capítulo 9 - podemos observar duas esferas em que ele interviu: cegueira física e a mental.
Utilizando desse exemplo Jesus declara:
Alguns dentre os fariseus que estavam perto dele perguntaram-lhe: Acaso, também nós somos cegos?
Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado."
Paulo, o apóstolo, exorta-nos a não nos conformarmos com a mentalidade deste mundo, mas que desformatemos nossa mente(adaptação de Romanos 12:2). Em sua segunda carta aos coríntios ele afirma: